Pois é, sigo escrevendo. Ainda que não traga toda a minha (autobiográfica) produção para este veículo, quanto mais reflexiva e introspectiva, mais produtiva.
Recebi como sugestão escrever sobre os meus amores. Não sei... Acho que seria expor demais a minha privacidade. Muito embora sei que seria, ao mesmo tempo, um puta homenagem aos homens que amo / amei. Ainda estou pensando carinhosamente no assunto. Quem sabe quando tomarei coragem ?
Afinal, nem foram tantos. Mas todos eles, cada um a seu tempo, foram muito, muito especiais. Uns me corresponderam, outros me ignoraram (ou nem souberam), outros ainda me confundiram (ou se confundiram) e eu me iludi, acreditando que finalmente eu irei dar sossego ao meu apaixonável e fantasioso coração. Mas, qual o quê ? Enfim... Eu os amei inteiramente. Profundamente. Apaixonadamente. Sinceramente. Lindamente. Honestamente. Sofregamente. Até cansar...ou desistir... ou me desinteressar.
De cada um dos meus amores guardo toneladas de lembranças, histórias, até fotos. Fazem parte da minha história e jamais irei esquecê-los. A eles me dediquei sem arrependimentos, com todas as minhas forças. Se queria o amor deles em troca ? Claro ! Mas quando não aconteceu, sofri, chorei, perdi noites de sono, fôlego e...sobrevivi ! Cada um dos meus amores deixou-me um pedaço de sua vida, ainda que não quisessem. E o que ficou comigo é meu, só meu, de mais ninguém.
Por isso, sigo pensando : devo escrever sobre cada um deles ? Devo publicar os textos que um dia lhes dediquei ? Será que haveria quem se interessasse pelas minhas histórias de amor ?
Boa noite ! Bons sonhos ! Durma bem, meu bem !
beijos,
Dayse
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Afinidade - Arthur da Távola
A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
O mais independente.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,
as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo sobre o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro.
Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois
que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples
e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos
fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavra.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com.
Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar.
Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.
Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.
Só entra em relação rica e saudável com o outro,
quem aceita para poder questionar.
Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar,
não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é.
E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso.
Isso é afinidade.
Mas o habitual é vermos alguém questionar porque não aceita
o outro como ele é. Por isso, aliás, questiona.
Questionamento de afins, eis a (in)fluência.
Questionamento de não afins, eis a guerra.
A afinidade não precisa do amor. Pode existir com ou sem ele.
Independente dele. A quilômetros de distância.
Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.
Há afinidade por pessoas a quem apenas vemos passar,
por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos.
Há afinidade com pessoas de outros continentes a quem nunca vemos,
veremos ou falaremos.
Quem pode afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não saem
para buscar sintomas com pessoas distantes,
com amigos a quem não vemos, com amores latentes,
com irmãos do não vivido?
A afinidade é singular, discreta e independente,
porque não precisa do tempo para existir.
Vinte anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceu
o vínculo da afinidade!
No dia em que a vir de novo, você vai prosseguir a relação
exatamente do ponto em que parou.
Afinidade é a adivinhação de essências não conhecidas
nem pelas pessoas que as tem.
Por prescindir do tempo e ser a ele superior,
a afinidade vence a morte, porque cada um de nós traz afinidades
ancestrais com a experiência da espécie no inconsciente.
Ela se prolonga nas células dos que nascem de nós,
para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes.
Sensível é a afinidade.
É exigente, apenas de que as pessoas evoluam parecido.
Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau,
porque o que define a afinidade é a sua existência também depois.
Aquele ou aquela de quem você foi tão amigo ou amado, e anos depois
encontra com saudade ou alegria, mas percebe que não vai conseguir
restituir o clima afetivo de antes,
é alguém com quem a afinidade foi temporária.
E afinidade real não é temporária. É supratemporal.
Nada mais doloroso que contemplar afinidade morta,
ou a ilusão de que as vivências daquela época eram afinidade.
A pessoa mudou, transformou-se por outros meios.
A vida passou por ela e fez tempestades, chuvas,
plantios de resultado diverso.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças,
é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,
quantos das impossibilidades vividas.
Afinidade é retomar a relação do ponto em que parou,
sem lamentar o tempo da separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais,
a expressão do outro sob a forma ampliada e
refletida do eu individual aprimorado.
delicado e penetrante dos sentimentos.
O mais independente.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,
as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo sobre o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro.
Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois
que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples
e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos
fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavra.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com.
Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar.
Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.
Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.
Só entra em relação rica e saudável com o outro,
quem aceita para poder questionar.
Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar,
não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é.
E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso.
Isso é afinidade.
Mas o habitual é vermos alguém questionar porque não aceita
o outro como ele é. Por isso, aliás, questiona.
Questionamento de afins, eis a (in)fluência.
Questionamento de não afins, eis a guerra.
A afinidade não precisa do amor. Pode existir com ou sem ele.
Independente dele. A quilômetros de distância.
Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.
Há afinidade por pessoas a quem apenas vemos passar,
por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos.
Há afinidade com pessoas de outros continentes a quem nunca vemos,
veremos ou falaremos.
Quem pode afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não saem
para buscar sintomas com pessoas distantes,
com amigos a quem não vemos, com amores latentes,
com irmãos do não vivido?
A afinidade é singular, discreta e independente,
porque não precisa do tempo para existir.
Vinte anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceu
o vínculo da afinidade!
No dia em que a vir de novo, você vai prosseguir a relação
exatamente do ponto em que parou.
Afinidade é a adivinhação de essências não conhecidas
nem pelas pessoas que as tem.
Por prescindir do tempo e ser a ele superior,
a afinidade vence a morte, porque cada um de nós traz afinidades
ancestrais com a experiência da espécie no inconsciente.
Ela se prolonga nas células dos que nascem de nós,
para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes.
Sensível é a afinidade.
É exigente, apenas de que as pessoas evoluam parecido.
Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau,
porque o que define a afinidade é a sua existência também depois.
Aquele ou aquela de quem você foi tão amigo ou amado, e anos depois
encontra com saudade ou alegria, mas percebe que não vai conseguir
restituir o clima afetivo de antes,
é alguém com quem a afinidade foi temporária.
E afinidade real não é temporária. É supratemporal.
Nada mais doloroso que contemplar afinidade morta,
ou a ilusão de que as vivências daquela época eram afinidade.
A pessoa mudou, transformou-se por outros meios.
A vida passou por ela e fez tempestades, chuvas,
plantios de resultado diverso.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças,
é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,
quantos das impossibilidades vividas.
Afinidade é retomar a relação do ponto em que parou,
sem lamentar o tempo da separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais,
a expressão do outro sob a forma ampliada e
refletida do eu individual aprimorado.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
texto enviado por Heloisa Santos
"Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!”
Fernando Pessoa
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!”
Fernando Pessoa
domingo, 1 de novembro de 2009
Sonhos - letra e música do Peninha
Tudo era apenas uma brincadeira
E foi crescendo, crescendo, me absorvendo.
E, de repente, eu me vi assim:
Completamente seu.
Vi a minha força amarrada no seu passo,
Vi que sem você não tem caminho, eu não me acho,
Vi um grande amor gritar dentro de mim
Como eu sonhei um dia
Quando o meu mundo era mais mundo
E todo mundo admitia.
Uma mudança muito estranha
Mais carinho, mais pureza,
Mais calma, mais alegria,
No meu jeito de me dar.
Quando a canção se fez mais forte e mais sentida
Quando a poesia fez folia em minha vida
Você veio me contar dessa paixão inesperada
Por outra pessoa
Mas não tem revolta, não
Eu só quero que você se encontre
Ter saudade até que é bom
É melhor que caminhar vazio
A esperança é um dom
Que eu tenho em mim
Não tem desespero, não
Você me ensinou milhões de coisas
Tenho um sonho em minhas mãos
Amanhã será um outro dia
Certamente, eu vou ser mais feliz.
E foi crescendo, crescendo, me absorvendo.
E, de repente, eu me vi assim:
Completamente seu.
Vi a minha força amarrada no seu passo,
Vi que sem você não tem caminho, eu não me acho,
Vi um grande amor gritar dentro de mim
Como eu sonhei um dia
Quando o meu mundo era mais mundo
E todo mundo admitia.
Uma mudança muito estranha
Mais carinho, mais pureza,
Mais calma, mais alegria,
No meu jeito de me dar.
Quando a canção se fez mais forte e mais sentida
Quando a poesia fez folia em minha vida
Você veio me contar dessa paixão inesperada
Por outra pessoa
Mas não tem revolta, não
Eu só quero que você se encontre
Ter saudade até que é bom
É melhor que caminhar vazio
A esperança é um dom
Que eu tenho em mim
Não tem desespero, não
Você me ensinou milhões de coisas
Tenho um sonho em minhas mãos
Amanhã será um outro dia
Certamente, eu vou ser mais feliz.
domingo, 2 de agosto de 2009
com a palavra: Wagner Moura (texto escrito especialmente para estar aqui neste blog)
Gostei muito deste texto do J. Guimarães Rosa:
"Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, descanso na loucura."
Um pouquinho de poesia:
Não sei o que me faz escrever.
As palavras passam como turbilhão...
Algumas ficam na memória.
e ecoam como se quisessem dizer algo.
As palavras são fortes.
Falam de amor, ódio, tristeza, felicidade, sentimentos.
São duras, mas verdadeiras.
Machucam mas também acariciam.
Mesmo no silêncio, não vivemos em elas.
Presente, passado e futuro.
Sempre guardamos conosco.
Palavras.
Autor: Wagner A. Moura
"Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, descanso na loucura."
Um pouquinho de poesia:
Não sei o que me faz escrever.
As palavras passam como turbilhão...
Algumas ficam na memória.
e ecoam como se quisessem dizer algo.
As palavras são fortes.
Falam de amor, ódio, tristeza, felicidade, sentimentos.
São duras, mas verdadeiras.
Machucam mas também acariciam.
Mesmo no silêncio, não vivemos em elas.
Presente, passado e futuro.
Sempre guardamos conosco.
Palavras.
Autor: Wagner A. Moura
terça-feira, 21 de julho de 2009
recebida no dia do amigo; repassei pra alguém muito especial...
"Mais que uma mão estendida
mais que um belo sorriso
mais do que a alegria de dividir
mais do que sonhar os mesmos sonhos
ou doer as mesmas dores
muito mais do que o silêncio que fala
ou da voz que cala, para ouvir
é, a amizade, o alimento que nos sacia a alma
e nos é ofertado por alguém que crê em nós."
(autor desconhecido)
mais que um belo sorriso
mais do que a alegria de dividir
mais do que sonhar os mesmos sonhos
ou doer as mesmas dores
muito mais do que o silêncio que fala
ou da voz que cala, para ouvir
é, a amizade, o alimento que nos sacia a alma
e nos é ofertado por alguém que crê em nós."
(autor desconhecido)
domingo, 19 de julho de 2009
Um caso de amor por Niterói...
Minha mãe nasceu em Niterói, no bairro do Barreto. Minha avó também, mas em Jurujuba. Meu irmão lá estudou e mais tarde morou por longos 7 anos em Niterói, em Pendotiba, onde sua filha ainda reside.
E eu, além da família, a cada dia que passa, coleciono amigos e mais amigos em Niterói. Daí, não me faltam pretextos para ir àquela cidade. E quando me faltam, vou assim mesmo. Vivo enamorada pela cidade, circulo com alguma facilidade. Fico relativamente à vontade.
Ainda hoje, estava entristecida com algumas coisas, pensativa na minha vida, domingão cinzento, sentido-me solitária e esquecida de todos, deixe-me distrair como guia de turismo e circulei pela cidade com uma grande e boa amiga e seus dois filhos. Fiz um passeio mais a meu gosto que ao deles. Ao final, eu não queria voltar pra casa, queria abandonar-me por lá, em algum canto. Quem sabe se alguém sentiria falta de mim ? Maldade... claro que sim. No mínimo, meus pais. Nada demais. Apenas uma dramática crise passageira de sentimento de abandono, num domingo em que eu queria mesmo era a companhia de alguém especial. Que infelizmente (pra mim) não me quer. Ou pelo menos, não me quer, como eu o quero. Fazer o quê, né ?
Niterói que me aguente, enquanto isso...
Dayse
19-julho-2009
E eu, além da família, a cada dia que passa, coleciono amigos e mais amigos em Niterói. Daí, não me faltam pretextos para ir àquela cidade. E quando me faltam, vou assim mesmo. Vivo enamorada pela cidade, circulo com alguma facilidade. Fico relativamente à vontade.
Ainda hoje, estava entristecida com algumas coisas, pensativa na minha vida, domingão cinzento, sentido-me solitária e esquecida de todos, deixe-me distrair como guia de turismo e circulei pela cidade com uma grande e boa amiga e seus dois filhos. Fiz um passeio mais a meu gosto que ao deles. Ao final, eu não queria voltar pra casa, queria abandonar-me por lá, em algum canto. Quem sabe se alguém sentiria falta de mim ? Maldade... claro que sim. No mínimo, meus pais. Nada demais. Apenas uma dramática crise passageira de sentimento de abandono, num domingo em que eu queria mesmo era a companhia de alguém especial. Que infelizmente (pra mim) não me quer. Ou pelo menos, não me quer, como eu o quero. Fazer o quê, né ?
Niterói que me aguente, enquanto isso...
Dayse
19-julho-2009
Meias vontades - Danuza Leão
(Às vezes, dá uma vontade de chutar o balde ... risos...)
Não há nada que me deixe mais frustrada
do que pedir sorvete de sobremesa,
contar os minutos até ele chegar
e aí ver o garçom colocar na minha frente
uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido.
Uma só.
Quanto mais sofisticado o restaurante,
menor a porção da sobremesa.
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência,
comprar um litro de sorvete bem cremoso
e saborear em casa com direito a repetir quantas
vezes a gente quiser,
sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.
O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.
A vida anda cheia de meias porções,
de prazeres meia-boca,
de aventuras pela metade..
A gente sai pra jantar, mas come pouco.
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
Conquista a chamada liberdade sexual,
mas tem que fingir que é difícil
(a imensa maioria das mulheres
continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').
Adora tomar um banho demorado,
mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.
Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo,
mas tem medo de fazer papel ridículo.
Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD,
esparramada no sofá,
mas se obriga a ir malhar.
E por aí vai.
Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar',
tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...
Aí a vida vai ficando sem tempero,
politicamente correta
e existencialmente sem-graça,
enquanto a gente vai ficando melancolicamente
sem tesão...
Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'.
Deixar de lado a régua,
o compasso,
a bússola,
a balança
e os 10 mandamentos.
Ser ridícula, inadequada, incoerente
e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções.
Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou
e disse uma frase mais ou menos assim:
'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'....
Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem,
podemos (devemos?) desejar
várias bolas de sorvete,
bombons de muitos sabores,
vários beijos bem dados,
a água batendo sem pressa no corpo,
o coração saciado.
Um dia a gente cria juízo.
Um dia.
Não tem que ser agora.
Por isso, garçom, por favor, me traga:
cinco bolas de sorvete de chocolate,
um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order',
uma caixa de trufas bem macias
e o Richard Gere, nu,
embrulhado pra presente.
OK?
Não necessariamente nessa ordem.
Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago . . .
Não há nada que me deixe mais frustrada
do que pedir sorvete de sobremesa,
contar os minutos até ele chegar
e aí ver o garçom colocar na minha frente
uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido.
Uma só.
Quanto mais sofisticado o restaurante,
menor a porção da sobremesa.
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência,
comprar um litro de sorvete bem cremoso
e saborear em casa com direito a repetir quantas
vezes a gente quiser,
sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.
O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.
A vida anda cheia de meias porções,
de prazeres meia-boca,
de aventuras pela metade..
A gente sai pra jantar, mas come pouco.
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
Conquista a chamada liberdade sexual,
mas tem que fingir que é difícil
(a imensa maioria das mulheres
continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').
Adora tomar um banho demorado,
mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.
Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo,
mas tem medo de fazer papel ridículo.
Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD,
esparramada no sofá,
mas se obriga a ir malhar.
E por aí vai.
Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar',
tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...
Aí a vida vai ficando sem tempero,
politicamente correta
e existencialmente sem-graça,
enquanto a gente vai ficando melancolicamente
sem tesão...
Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'.
Deixar de lado a régua,
o compasso,
a bússola,
a balança
e os 10 mandamentos.
Ser ridícula, inadequada, incoerente
e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções.
Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou
e disse uma frase mais ou menos assim:
'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'....
Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem,
podemos (devemos?) desejar
várias bolas de sorvete,
bombons de muitos sabores,
vários beijos bem dados,
a água batendo sem pressa no corpo,
o coração saciado.
Um dia a gente cria juízo.
Um dia.
Não tem que ser agora.
Por isso, garçom, por favor, me traga:
cinco bolas de sorvete de chocolate,
um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order',
uma caixa de trufas bem macias
e o Richard Gere, nu,
embrulhado pra presente.
OK?
Não necessariamente nessa ordem.
Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago . . .
presente de aniversário que ganhei : criativo, original, único, especial
é admirável tua força, amiga
não aceita nada menos que alegria
se os fatos se precipitam, te derrubam
não perde tempo em lamentos e lágrimas
"ferida sim, mas viva" é o teu lema
bandeira que levas a frente do peito
um estandarte da tua estória, da tua vida
que te dá forças para combater injustiças
que te faz perseguir os objetivos mais nobres
objetivos que nascem do coração de guerreira
sei que o destino te reserva um grande amor
porque quem tanto ama há que ser muito amado
então teu sorriso será ainda mais belo
e tua alegria ainda mais contagiante
até lá, amiga, viva tua vida
e ensina-nos a viver com alegria
autor : Antonio Helio Monteiro
não aceita nada menos que alegria
se os fatos se precipitam, te derrubam
não perde tempo em lamentos e lágrimas
"ferida sim, mas viva" é o teu lema
bandeira que levas a frente do peito
um estandarte da tua estória, da tua vida
que te dá forças para combater injustiças
que te faz perseguir os objetivos mais nobres
objetivos que nascem do coração de guerreira
sei que o destino te reserva um grande amor
porque quem tanto ama há que ser muito amado
então teu sorriso será ainda mais belo
e tua alegria ainda mais contagiante
até lá, amiga, viva tua vida
e ensina-nos a viver com alegria
autor : Antonio Helio Monteiro
sábado, 20 de junho de 2009
Se eu pudesse...
Se eu pudesse deixar algum presente a você, deixaria aceso o sentimento de amar a vida.
A consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo afora.
Lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetissem.
Daria a capacidade de escolher novos rumos, novos caminhos.
Deixaria, se pudesse, o respeito àquilo que é indispensável:
Além do pão, o trabalho.
Além do trabalho, a ação.
Além da ação o cultivo à amizade.
E, quando tudo mais faltasse, um segredo:
O de buscar no interior de si mesmo a resposta e a força para encontrar a saída.
(Gandhi)
A consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo afora.
Lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetissem.
Daria a capacidade de escolher novos rumos, novos caminhos.
Deixaria, se pudesse, o respeito àquilo que é indispensável:
Além do pão, o trabalho.
Além do trabalho, a ação.
Além da ação o cultivo à amizade.
E, quando tudo mais faltasse, um segredo:
O de buscar no interior de si mesmo a resposta e a força para encontrar a saída.
(Gandhi)
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